………“A desumanização da saúde começa pela própria casa, pelas instituições de saúde que não entendem, nem aceitam a doença. Exigem dos funcionários, como se estes fossem super-homens ou super-mulheres, têm quadros diminutos, exploram a responsabilidade de cada um, dando nada em troca. Nem instalações, nem locais de estágio com o mínimo de dignidade, nem suporte logístico, nem orgulho de ser bom profissional. (……………….) O ideal de realização pessoal e profissional, a projecção das instituições (….) perde-se por caminhos esconsos no medo das cúpulas, nos orçamentos apertados, nas políticas internas, nos tortuosos caminhos de procura do poder, na carga burocrática, na gestão economicista da actividade pedagógica e dos cuidados…….
In “Dar a vida pela vida”, Editorial Minerva, 2001, prólogo
….“Nunca a população se queixou tanto. Nunca a desumanização se sentiu tanto. Nunca se fugiu tanto ao doente. Nunca se dedicou tanto tempo ao preenchimento de papéis. Nunca se reduziu tanto o paciente a uma patologia e aos exames subsidiários. Nunca os cuidados foram menos globais. Nunca se perguntou tão pouco a vontade do doente, apesar de se colherem histórias exaustivas. Nunca este foi tanto um joguete nas mãos dos técnicos de saúde.”
In “Dar a vida pela vida”, Editorial Minerva, 2001, prólogo